O que (não) é Robótica? (I)

AI Takeover

O que você pensa quando imagina um robô? Uma caixa de metal que aspira o pó de sua casa, um braço mecânico feito com impressoras 3D ou um ator hollywoodiano com tinta metálica no rosto, talvez? O imaginário coletivo está repleto de noções do que são robôs, e, muitas vezes, além de errônea, essa visão pode ser prejudicial.

O cenário imaginado pela sociedade em relação à Robótica é de uma tecnologia futurista, quase alienígena. Do desconhecido, surge o medo, e especulações sobre os catastróficos impactos da Robótica na sociedade e humanidade aparecem. Quem nunca refletiu sobre a possibilidade de vivermos na Matrix ou de um dia sermos assistidos por policiais com partes metálicas, como em RoboCop? Não tão distante de nossa realidade, ouvimos histórias de vários funcionários demitidos em uma linha de produção após serem substituídos por um único robô capaz de realizar todas suas tarefas.

Com o medo das condições limitadas de trabalho em um mercado que automatiza processos operacionais e preza por profissionais cada vez mais capacitados, é natural imaginar que a garantia de estabilidade está, desde cedo, no estudo e domínio das tecnologias que representam os meios de produção. Seguindo a linha de raciocínio, quanto mais cedo uma criança for capaz de construir seus próprios robôs, mais preparada ela estará para sobreviver ao futuro, correto? Vamos com calma.

Na verdade, nenhum dos dois cenários (de um mundo dominado por máquinas, ou de crianças prodígios criando robôs) é realista, mas ambos apresentam pontos de partida muito importantes para entender o que é a Robótica e quais os reais benefícios de aprendê-la na infância. A Robótica pode ser ensinada para crianças e adolescentes através de exemplos simplificados da matemática, física, mecânica de corpos rígidos, máquinas eletromecânicas, sistemas realimentados e programação; enquanto, desde que corretamente entendida, pode ser vista como somente mais uma tecnologia desenvolvida pelo ser humano.

Mas… O que (não) é a Robótica?

Primeiro, devemos entender o que é a robótica, partindo da definição do que é um robô. Segundo a Robot Institute of America, “um robô é um manipulador multifuncional reprogramável desenvolvido para a movimentação de materiais, peças, ferramentas ou dispositivos variados através de movimentos programados para performar uma variedades de tarefas”[1] (tradução livre). A Robótica, portanto, é o ramo da engenharia que estuda o funcionamento dos robôs.

A definição parece complexa, mas ajuda a entender melhor o que é a Robótica ao traçar um limite do que são os robôs: máquinas. Sabendo que os robôs são sistemas mecânicos, podemos excluir de nossa lista as “inteligências artificiais” (falaremos sobre isso em outro momento) como o Jarvis do “Homem de Ferro” ou Cortana da Microsoft e Alexa da Amazon. Além disso, o fato da máquina ser reprogramável é de grande importância para a definição de um sistema robótico. Um robô só é considerado como tal se pudermos reescrever sua rotina de movimentos para realizar ações diferentes. Dessa forma, todas aquelas representações de humanóides com peças de metal (que, eventualmente, se transformam em objetos do cotidiano, como os Transformers) não podem ser ditas como robôs.

Por fim, todo o resto da definição pode ser simplificada em uma palavra: utilidade. O (caro) investimento no projeto, desenvolvimento, construção e manutenção de um robô só surge da necessidade de substituir um processo, ora repetitivo, ora requerendo repetibilidade[2]. Embora traga muitos questionamentos sobre os impactos sociais da automação industrial, a condição de utilidade permite que um robô possa ser visto como uma ferramenta, acalmando os desconfiados por uma revolução das máquinas no estilo “Exterminador do Futuro”. Como um aparelho, deve ser gerido e manutenido por seres humanos devidamente capacitados, e o processo de treinamento desses responsáveis deve começar, no mínimo, a partir do entendimento dos fundamentos da Robótica.

O que (não) é Robótica - Parte II

Na segunda parte do artigo, iremos discutir quais os desafios e possibilidades no aprendizado de Robótica para crianças e adolescentes, mostrando uma proposta realista de ensino, através de exemplos.

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Matheus Delgado de Azevedo
Engenheiro Mecatrônico e Analista de Sistemas da CODE8734. Capitão da equipe “Game of Tronics” na Competição Latino-americana de Robótica em 2017 e participante do time em 2016 (Categoria SEK).
Publicado:
22/4/2021
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